Oscar Calixto | Prosa e Verso
"O que não está nos sentidos, não pode existir na inteligência."
Capa Meu Diário Textos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos

Teatro de Vidro

O dedo desliza mais uma vez e a alma se expõe.
Num palco de pixels, o "eu" que se decompõe.
Na escrita, coisas que parecem ser reais,
Mas que foram criadas por tecologias banais.
E, achando que saiu da alma, quase ninguém vê
que o que passou no feed veio do Chat GPT.

 

Muitas vezes me calo,
noutras tantas sinto que em meu silêncio
eu me violento mais uma vez
por ver tanta inverdade sendo validada,
como se o todo fosse apenas essa única parte
de uma longa jornada.

 

As flores ali não puderam sair da alma
porque ela necessita de auxílio e de consulta;
Não puderam sair da alma
porque nela não habita o amor que a gente crê.
Esse amor ao outro...
E não apenas esse amor de você por você.

 

O amor de verdade,
Esse que é o que é, 
Aquele que realmente se pode ver,
não cria falsidades,
apenas exala verdades
e não necessita de consulta alguma
ao Chat GPT.

 

Eu, tão meu agora,
apenas observo esse teatro de vidro.
E só eu sei o tanto que custou
Dividir uma vida com quem
em mim nunca pensou.
Com tudo o que pareceu,
mas nunca foi inteiro 
porque amar somente a si
não é amor verdadeiro.

 

Meu peito ainda é vácuo de mil tristezas,
Palavras que buscam o afago
de qualquer vestígio de verdade
na mera multiplicidade do amor fraternal.

 

Enquanto a narcisa faz do espelho seu pique de palco,
​A tecnologia é o filtro da voz:
Dizemos o "sinto", mas longe de nós.

 

A manipulação e exposição em rede tecida
Transforma em vitrine a carne da vida.
Essa que a vista contempla banhada de sol, 
mas que um dia também vai perecer.
E aí... O que vai restar de você?

 

Curadas imagens, sorrisos de gesso,
Escondem da alma o amargo preço
de ser figurante da própria mentira,
Onde o eco do aplauso
é o que nos retira.

 

​Há silêncios que gritam em meio ao ruído,
Verdades que morrem no post esquecido.
Pois o narcisismo, em seu trono de luz,
alimenta a vaidade que ao nada conduz.
E troca o abraço, o suor, o momento,
Por um algoritmo que dita o sentimento.

 

​Mas o amor verdadeiro não aceita o controle,
Não vive de filtros, nem pede prole
De curtidas vazias ou brilho forçado.

Ele habita o escuro, no lado a lado,
Onde a falha é aceita e a derrota é real,
Longe do brilho desse erro digital.

 

​PS: Às vezes, o maior ato de rebeldia contra a manipulação moderna é simplesmente o silêncio compartilhado. Noutras é poesia.

Oscar Calixto
Enviado por Oscar Calixto em 25/03/2026
Alterado em 26/03/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Capa Meu Diário Textos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links